Alunos com TDAH podem receber acompanhamento escolar, propõe Bengtson


   Paulo Bengtson: “É possível ter uma vida normal com o TDAH através do tratamento adequado.”


Está em análise na Câmara dos Deputados uma proposta que beneficia crianças e jovens diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). É o projeto de lei do deputado Paulo Bengtson (PTB-PA) que cria um programa de tratamento e acompanhamento escolar para alunos identificados com o transtorno (PL 3893/21).

Notas baixas, problemas de comportamento e dificuldade de adaptação ao ambiente escolar são obstáculos frequentes das crianças portadoras do TDAH. Com a proposta, válida para escolas públicas e particulares de ensino infantil e fundamental, o estudante pode passar a ter melhor desempenho escolar.

O autor do projeto explica que o programa de diagnóstico, esclarecimento, tratamento e acompanhamento do TDAH vai proporcionar a professores, coordenadores e toda a equipe pedagógica escolar orientação recorrente de profissionais como psicólogos, pediatras e assistentes sociais sobre aspectos do transtorno.

Caberá a esses profissionais envolvidos no processo de diagnóstico do TDAH oferecer o suporte necessário aos colégios e aos familiares na conscientização e fornecimento de informações sobre o transtorno e na realização de encontros entre a equipe pedagógica da escola e os responsáveis pelo aluno identificado com TDAH.

“O objetivo é possibilitar o diagnóstico precoce e o tratamento de um problema que, apesar de bastante comum, poucas vezes é identificado e devidamente tratado. Este enfoque vai permitir que os alunos com TDAH, devidamente acompanhados e tratados, tenham um melhor aproveitamento do ensino e rendimento escolar”, afirma Paulo Bengtson.

Sintomas

Como pontua o deputado paraense, alunos com TDAH sofrem com pequeno domínio de atenção, distração, desorganização, hiperatividade e problemas de controle de impulso. Portanto, para Bengtson, o programa é uma possibilidade de inserção desses estudantes no convívio social escolar por meio de técnicas específicas de aprendizagem.

“Pessoas que sofrem com TDAH têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo prolongados. Sua atenção tende a vagar, e constantemente se desligam da tarefa a ser realizada, pensando ou fazendo coisas diferentes. Ainda assim, uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse distúrbio é o fato de pessoas com TDAH não terem um âmbito pequeno de atenção para tudo”, diz.

Paulo Bengtson destaca que pessoas com TDAH tendem a direcionar a atenção para situações ou objetos chamativos, novidades, estimulações interessantes ou assustadoras. Por esse motivo, é normal que uma criança portadora do transtorno saiba sobressair em uma situação interpessoal, mas ter dificuldade de convivência em uma sala com outras crianças.

TDAH

A Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA) classifica o TDAH como um transtorno neurobiológico de causas genéticas que aparece na infância e acompanha a pessoa por toda vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude, impulsividade e hiperatividade.

Por terem sintomas semelhantes, o TDAH pode ser confundido com déficit de atenção, dislexia ou hiperatividade, outras condições que afetam o processo de aprendizagem e raciocínio. A dislexia é a dificuldade em ler e escrever por causa da não associação de fonemas às letras, ou seja, a pessoa não consegue memorizar com facilidade a atividade verbal – letras, palavras e números.

A hiperatividade é caracterizada como o estado excessivo de energia. É comum o comportamento hiperativo atingir crianças, mas, normalmente, ele diminui com a adolescência. É quando a hiperatividade permanece na fase adulta que podem surgir problemas escolares, profissionais, pessoais e sociais.

O Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) é o quadro apresentado por pessoas que demonstram ter dispersão e desatenção excessiva e dificuldade para manter-se focadas. Já o TDAH é o indivíduo que, além de sofrer com a dificuldade de atenção, também possui comportamento hiperativo.

“O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade ocorre como resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal (parte do cérebro responsável por manter e produzir concentração). Quando pessoas que têm TDAH tentam se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui, ao invés de aumentar (como no caso de pessoas que não têm o distúrbio)”, explica.

Reportagem — Carlos Augusto Xavier
Foto — Jotaric

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