Para Eduardo Costa, o Pará é um dos estados mais prejudicados pela crise energética no País


    Eduardo Costa: “Pagamos uma energia cara e contribuímos para reduzir nos demais estados.”


Setembro segue sem chuvas no País, situação que preocupa autoridades. De acordo com especialistas, o Brasil vive a pior crise hídrica dos últimos 91 anos. Segundo o deputado Eduardo Costa (PTB-PA), o Pará é um dos estados mais prejudicados, pois paga uma das maiores contas de energia elétrica do território brasileiro e está com os reservatórios hídricos cheios, mas mesmo assim a população precisará arcar com os custos da conta de luz mais cara.

“No Pará a situação é muito mais grave porque nós pagamos a segunda maior conta de energia do País, por conta da grande dimensão continental que o estado tem e pelas distâncias que a energia é transportada para o consumidor final. E mesmo sendo um estado produtor de energia, no qual cinco das seis maiores hidrelétricas estão localizadas, ou seja, produzimos e exportamos energia, mas mesmo assim o estado do Pará é penalizado”, lamenta.

O parlamentar paraense explica que não existe visibilidade para o estado, que é um importante ator na produção e distribuição da matriz energética brasileira, mas que não é reconhecido. Eduardo Costa ainda afirma que no Pará não há falta de chuva, por isso, hoje, os balanceais estão cheios, e mesmo assim os cidadãos, que já pagam uma conta de energia elétrica cara, contribuem pagando bandeiras tarifárias para reduzir o custo de todo o Brasil.

“O País não vê e não contribui com a nossa situação. Por isso nós temos alguns projetos que tentam amenizar isso e fazer com que o estado e o paraense paguem da mesma forma que as pessoas que moram em Brasília, em São Paulo ou em Minas Gerais pagam, uma conta muito menor e com menos peso sobre o custo geral que o cidadão tem no final do mês. Para se ter uma ideia, essa elevação do preço da energia vai significar para o paraense um aumento no custo do seu recurso de pagamento no final do mês de cerca de 7,3% enquanto a média do País é de aproximadamente 5%”, afirma.

Crise hídrica

A previsão de especialista é que, ao fim deste mês, os reservatórios das usinas hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste estejam em 15,4% de sua capacidade. Esse volume é menor que o registrado na crise de 20 anos atrás, quando o País passou por racionamento compulsório de energia, conhecido como apagão de 2001.

“Não é a primeira vez que o brasileiro passa pela questão que envolve a crise de energia nesse país. Em 2001, nós tivemos uma crise semelhante. Todo mundo lembra dos apagões, do Comitê de Crise criado e de algumas ações que naquela época começaram a valer, como o retorno do horário de verão. Havia todo uma preocupação com a situação e com planos para que o cidadão economizasse energia”, recorda.

Para tentar reverter a crise hídrica e consequentemente elétrica, o governo federal criou no final de agosto a “bandeira tarifária escassez hídrica”, que já está em vigor. Desde junho, a bandeira tarifária de energia aplicada no Brasil era a vermelha 2. Criado em 2015, o sistema de bandeiras sinaliza o custo de geração de energia e repassa o valor ao consumidor. Quando o nível de reservatórios cai, o preço aumenta, pois as hidrelétricas não dão mais conta do serviço, sendo preciso acionar as termelétricas, que possem custo de produção mais elevado.

O custo da nova bandeira será de R$ 14,20 a cada 100 kWh. Na prática, a tarifa média da conta de luz deve subir 6,78% para os brasileiros. A previsão é a de que a nova bandeira vigore até 30 de abril de 2022. O governo federal também dará desconto de R$ 0,50 por kWh economizado para quem poupar de 10% a 20% em relação ao que consumiu no mesmo período no ano passado.

“Hoje essa crise não está sendo tratada de acordo com a importância que deveria pelo governo federal, já que a estratégia é somente pedir para o cidadão diminuir um ponto de luz na sua casa. E isso não vai dar certo. Atualmente, o governo federal tem como mensurar toda a situação climática do País durante o ano inteiro. Então ele já poderia, de forma antecipada, se planejar, se programar e fazer uma redução gradativa”, afirma.

Transporte

Em relação à crise energética, o deputado também destaca que o custo elevado da energia elétrica consequentemente aumenta o valor dos alimentos, do combustível e da inflação. Já sobre a crise hídrica, ele diz que ocorre a queda do nível de água não somente em balanceais das hidrelétricas, como também em rios, que servem de transporte para alimentos.

“Vou dar um exemplo. O rio Tietê-Paraná paralisou o transporte por via pluvial de várias toneladas de alimento. Mais de dezesseis milhões de toneladas vão deixar de ser transportadas até que os rios voltem ao seu patamar normal e isso faz com que esses alimentos sejam transportados por via terrestre, no qual o custo é muito mais alto. Então isso faz com que o preço dos alimentos suba e a inflação também deve subir”, finaliza.

Reportagem — Carlos Augusto Xavier, com a colaboração de Regina Mesquita
Foto — Jotaric

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