Marcelo Moraes defende preço mínimo para tabaco e classificação do produto pela Emater


           Marcelo Moraes: “Hoje, quem mais dificulta a vida dos fumicultores é a indústria.”


Está na hora de a indústria fumageira começar a entender que, se não tratar melhor o produtor de tabaco, vai ficar sem a sua matéria-prima. Se não pagar um preço justo, esse agricultor vai parar de produzir e vai migrar para outra cultura, ou até vai abandonar a lavoura. É isso que tem acontecido ao longo dos últimos anos.

A declaração foi feita pelo deputado Marcelo Moraes (PTB-RS) durante audiência pública virtual realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Segundo o parlamentar, na safra de 2013/2014, havia 84 mil famílias produzindo tabaco no Rio Grande do Sul. Na última safra, no entanto, o número caiu para 73 mil famílias. Ou seja, nos últimos seis anos, aproximadamente 11 mil famílias deixaram de produzir tabaco.

Preço mínimo

“Hoje, na minha opinião, quem mais dificulta a vida dos fumicultores, quem mais trabalha para que a fumicultura acabe é a indústria”, avaliou Marcelo Moraes, ao defender a garantia de um preço mínimo para o fumo, acertado antecipadamente, e o retorno da presença governamental no momento da classificação do tabaco, por meio, por exemplo, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

“Hoje é o seguinte: chega lá o fumicultor com o fumo, bota na esteira da indústria. Ele diz que é uma classificação. A indústria diz que é outra. Se houver discordância, poderia ser chamado o pessoal da Emater para dar uma olhadinha e decidir a questão”, exemplificou.

Marcelo Moraes destacou que, atualmente, a classificação do tabaco feita pela indústria fumageira é a que vale no final. “Isso, na minha opinião, faz com que os nossos fumicultores fiquem reféns dela”, afirmou.

Impacto nos municípios

O deputado também lembrou que, em várias regiões do Rio Grande do Sul que produzem o tabaco – como no Vale do Rio Pardo, em Camaquã, em Três Passos – são os recursos provenientes dessa produção que abastecem a economia dos municípios.

Ele também ressaltou os entraves para os produtores migrarem do fumo para outra cultura:

“Dificilmente haverá outra atividade que, em quatro, cinco, seis, sete hectares, dê a mesma rentabilidade que o fumo dá – esse é o primeiro problema. O segundo é que, mesmo que encontrássemos essa cultura que pudesse substituir a do tabaco, com a mesma quantidade de valor agregado, se quase 70 mil famílias mudassem para essa cultura, não garantiríamos preço, porque onde existe mais oferta, com certeza, o preço acaba caindo”, avaliou.
 
Reportagem – Renata Tôrres
Foto – Assembleia Legislativa do RS

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