Pré-sal: após baixa participação de empresas, Santini sugere que governo reavalie leilões


     Santini: “Às vezes, o mercado é muito voraz quando percebe alguma situação de dificuldade.”


O baixo interesse e a pequena participação de empresas nos leilões do pré-sal acabam prejudicando municípios e estados, como o Rio Grande do Sul, que estão passando por sérias de dificuldades financeiras. Essa é a opinião do deputado Santini (PTB-RS), para quem o governo federal precisa reavaliar a estratégia usada nos leilões.
 
Nesta semana, foram realizados dois megaleilões dos blocos excedentes do pré-sal. O primeiro, na quarta-feira (6), vendeu dois dos quatro blocos, arrecadando menos que o estimado pelo Poder Executivo. O segundo, realizado nesta quinta-feira (7), vendeu apenas um dos cinco blocos ofertados. O dinheiro dos leilões será dividido entre o governo federal, estados, municípios e o Distrito Federal.
 
“É preciso olhar melhor para esse processo do leilão e analisá-lo efetivamente. Às vezes, o mercado é muito voraz quando percebe alguma situação de dificuldade. No caso do Brasil, o mercado pode não querer pagar aquilo que vale o nosso produto, já que estamos em um momento de crise. Então, talvez tenhamos que reavaliar essa forma de fazer leilão”, argumenta.
 
Recorde
 
O valor arrecado na rodada de licitação da quarta-feira foi o maior em leilões de petróleo do mundo, somando R$ 69,96 bilhões, dos R$ 106,5 bilhões previstos caso os quatro blocos fossem vendidos. Mesmo com recorde, os dois leilões foram marcados por falta de concorrência, devido à ausência de interesse das empresas participantes.
 
Em ambos, nenhuma empresa estrangeira fez lance sozinha. Com isso, na quarta-feira, a Petrobras arrematou dois blocos – um em consórcio com empresas chinesas e outro sozinha. Na quinta, o único bloco foi vendido com somente um lance feito pelo consórcio entre a Petrobras e a chinesa CNODC.
 
Ronaldo Santini destaca que somente dois terços do valor inicialmente previsto pelo governo foram arrecadados na rodada de quarta-feira. “Sem dúvida nenhuma, esse recurso vai fazer muita falta para os cofres municipais, estaduais e também para os cofres federais”, avalia.
 
O megaleilão de áreas específicas do pré-sal é chamado de cessão onerosa, quando o governo federal decide ceder a empresas o direito de explorar reservas minerais, que, pela lei brasileira, pertencem à União.
 
Reportagem – Carlos Augusto Xavier, com a colaboração de Regina Mesquita e sob a supervisão de Renata Tôrres
Foto – Jotaric

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