Pequenos produtores rurais precisam receber mais incentivos, afirma Paulo Bengtson


   Paulo Bengtson: “PTB luta pelo pequeno agricultor, para que ele possa se estabelecer na terra.”


Uma comissão geral será realizada em setembro, no Plenário da Câmara dos Deputados, para discutir os impactos da Lei da Agricultura Familiar (11.326/2006) no País. A legislação entrou em vigor há 13 anos, no dia 24 de julho de 2006.
 
O deputado Paulo Bengtson (PTB-PA) destaca que a bancada do PTB apoia a legislação, que foi criada para beneficiar os pequenos produtores rurais.
 
“Nós lutamos pelo pequeno agricultor, para que ele possa se estabelecer na terra e não precise migrar para a cidade para ter a educação para os seus filhos. Trabalhamos para que ele possa ter a escola perto, o hospital próximo e para que possa sentir-se seguro na sua propriedade”, afirma o parlamentar.
 
Ele ressalta que, embora as pequenas propriedades sejam responsáveis pela maior parte dos alimentos produzidos no Brasil, ainda necessitam de incentivos e investimentos.
 
“O pequeno agricultor sofre com falta de tecnologia, de incentivo público e, principalmente, com a dificuldade para escoar a sua produção. Não temos esse problema nas regiões Sul e Sudeste, mas no Norte e no Nordeste, isso afeta muito a produção”, esclarece.
 
Pará
 
O deputado cita o caso dos produtores de frutas do Pará, como exemplo dos obstáculos enfrentados por pequenos produtores do Norte. Na época do inverno amazônico, quando chove muito, as estradas ficam intrafegáveis, o que acaba causando a perda da produção, pois as frutas, que são altamente perecíveis, não conseguem chegar aos consumidores.
 
“Então, o pequeno produtor sofre muito por conta dessas questões de infraestrutura. Para ele, a margem de lucro sempre é muito pequena. Ganha-se na quantidade de produção e na rotatividade. Na região Norte e em outras regiões, o pequeno agricultor nunca trabalha uma produção só no ano. Termina o feijão, já planta o arroz; termina o arroz, planta o milho; e assim vai mudando, todas as produções são sazonais”, diz.
 
Cooperativas
 
Paulo Bengtson defende incentivos e políticas públicas para a criação de cooperativas que agreguem os pequenos produtores e façam com que ganhem mais no produto a ser vendido. Ele cita o caso da pesca:
 
“Um modal, hoje, que tem crescido muito é a piscicultura e a aquicultura familiar. Hoje, o pescado é a maior proteína animal consumida no mundo. Porém, o Brasil, que tem 8.500 quilômetros de costa e a maior bacia de água doce do mundo, não é o maior produtor de peixe. O nosso pescado ainda não atende a população da forma como deveria”, lamenta.
 
O parlamentar afirma que isso ocorre porque não existem políticas públicas, nem marcos regulatórios para incentivar a piscicultura.
 
“Não existe um sistema de produção e a gente sofre muito com isso. Por quê? Porque a concorrência externa é muito grande. Eu tenho visto, por exemplo, pescado da China ser comercializado aqui no Brasil mais barato do que o nosso”, compara.
 
Alta produtividade
 
Segundo Paulo Bengtson, o Brasil produz sete vezes mais alimento do que consome, sendo que, em apenas 14% do território nacional, é produzido todo o alimento para o consumo interno e para a exportação.
 
“Porém, há um engano quanto à agricultura, quando se fala e se pensa só naquelas grandes propriedades, com aqueles tratores de última geração. O que gera emprego, renda e o alimento na mesa do povo brasileiro, na sua maior parte, são as pequenas propriedades”, afirma.
 
Reportagem – Carlos Augusto Xavier, com a colaboração de Regina Mesquita e sob a supervisão de Renata Tôrres
Foto – Jotaric

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